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vermelho às bolinhas


 Eu gosto desses teus sonhos coloridos que dão vida aos meus. Adoro essas palavras rabiscadas com aquela caligrafia elegante e eternamente charmosa, que me deixas em cima da mesa de cabeceira para não me acordar. E não fazes ideia do quão delicioso se torna o meu despertar por causa disso.
 Mais uma noite de mimos, cheia de bailarinas, como eu gosto. Levas-me ao colo no olhar, e não sei como o fazes, mas embrulhas-me no teu manto de príncipe salvação e não há nada que me traga à realidade.
Gosto desse teu cheiro, fazes-me lembrar a minha infância, a casa dos meus avós e os rebuçados rabiscados às escondidas. Principalmente, pela felicidade que me transmite, a calma envolta no chocolate quente de todas as noites em conjunto com o calor dessas mãos bem contornadas e firmes.
 Já deves estar cansado dos meus eternos agradecimentos, tal como das minhas cartas apaixonadas e do peso das minhas pálpebras nas viagens de regresso a casa. Mas eu não me canso. Mesmo que repita o processo todos os dias, mesmo que o que te escreva queira sempre dizer o mesmo, eu nunca vou achar que o meu amor por ti rebenta com as costuras do meu coração fraco e acelerado. Ou mesmo que rebente, eu nunca vou achar maneira de o consertar. 
E pode haver ainda quem peça a paz às estrelas, com o intuito de a receber embrulhada num papel vermelho às bolinhas. Eu acho que a paz se procura e consequentemente se encontra, em pessoas como tu, vulgares como eu, mas com um brilho nos olhos que chegaria para iluminar o mundo.

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