Setembro 2010:
Lamento ter-me esquecido de tantas coisas, ter de olhar para trás, sentir na pele os anos que já foram, as dores na alma e no fundo do peito que aos poucos construíram a dura armadura que me aperta a caixa torácica agora. Correm-me no sangue as memórias, as duras saudades que sinto dos episódios mais caricatos que ao longo do tempo fui armazenando, as vastas colecções de sorrisos e lágrimas, os apertos fortes dos abraços que com alguma lamentável certeza já não verei, nunca mais. Triste é a minha mente, quando me esforço para recordar o rosto de alguém que dissipou, sem eu ver. Aperto-me com vergonha, da memória que me falha, do nome que não me lembro, das noites mal dormidas a divagar e a comer bolachas que hoje me esforço para manter na lembrança.
Devíamos poder guardar tudo em livros, com imagens a ilustrar, com o som da viola como fundo, com a noite só para nos embalar, para que a memória ficasse impossibilitada de falhar uma e outra vez, para que não escondêssemos hoje o rosto de quem um dia nos quis bem, de quem já não mora em frente da nossa porta.
Pediria desculpas se fizesse para me esquecer, mas nunca tive isso em intenção. E por vezes não me esqueço mesmo, apenas não me recordo. E esforço-me para que o passado faça parte do presente, mas acabo por misturar os tempos e viver no meio de um turbilhão de coisas que não entendo. Faço reset vezes sem conta, volto a prometer uma nova visita, mais uns disparates e umas piadas sem sentido, mais uns gritos histéricos e umas conversas com os miúdos, mais verões a fazer o que não devemos e a rirmo-nos daquilo que já não importa.
Pediria desculpas se fizesse para me esquecer, mas nunca tive isso em intenção. E por vezes não me esqueço mesmo, apenas não me recordo. E esforço-me para que o passado faça parte do presente, mas acabo por misturar os tempos e viver no meio de um turbilhão de coisas que não entendo. Faço reset vezes sem conta, volto a prometer uma nova visita, mais uns disparates e umas piadas sem sentido, mais uns gritos histéricos e umas conversas com os miúdos, mais verões a fazer o que não devemos e a rirmo-nos daquilo que já não importa.
Guardo-vos a todos no coração, por me abrigaram das noites mais frias, dos dias com mais chuva. Guardo-vos por guardam em vós o pedaço que deixei na vossa vida, de uma parte ou de outra, não importa. Importante é não esquecer que vos oiço, sempre que me perco lá ao longe, onde todos deixamos o que tínhamos para seguir com a caravela que não nos deixa estar parados. É uma pena não poder-mos viver todos dentro do mesmo barco, para que eu não vos perca de vista nunca, nem mesmo quando o tempo nos erodir a pele e os ossos não obedecerem às nossas ordens, nem mesmo quando os filhos e os netos nos roubarem as horas, os dias e os meses. Lamentável que eu não possa felicitar-vos todos os anos, mais um ano das vossas vidas, incapacitante é que eu não vos abrace ao acordar e ao adormecer, triste é saber que nos vamos esquecer, e que um dia, será para sempre.

obrigada *-*
ResponderEliminarnovo texto*
Oh meu amor, sempre lindo <3
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