Ele era tudo o que ela tinha. Era, porque não é mais. Deixou de ser, vá-se lá saber se se foi embora, se teve mesmo de partir. E quem parte, já não volta.
Ouvira em tempos que o mais importante será resguardar o coração para aqueles que realmente merecem recebê-lo. Mas não serviu de nada. Nada serviu de nada. Ali estava ela, a dar o impossível, a prometer o improvável. Ela queria, e não há nada que impeça uma mulher de querer. Desejar até que se lhe doam as entranhas e o peito, do querer descabido e irracional.
Naquele momento, ele era tudo o que ela tinha. Era o chão da casa velha que construíram os dois, em tempos felizes que hoje despertavam nela o desejo incessante de reviver o passado outra e outra vez. Eram as flores colhidas entre a felicidade doida que é amar alguém que pode estar ao nosso lado, a gastar os ínfimos segundos da sua vida connosco, a encher-nos o peito de ar, coração de sangue e o estômago de borboletas.
Ele era tudo. E ela ficou sem nada. Porque ele, ele partiu. Deixou sobre a mesa as fotografias reveladas outrora, onde tudo fazia crer que aquele dia nunca iria chegar. Mesmo que o sol caísse sobre a terra. Mesmo que homens se esquecessem de amar. Ele, jamais partiria.
Mas partiu.

:(
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