Conforta-me saber que estás aí. Que na realidade, hás-de sempre estar. Sei que me conheces por dentro e é bom voltar a mim sempre que estou contigo. Embora nem sempre respeites o meu espaço, a distância necessária entre as tuas palavras e o meu coração, eu gosto de te ter por perto. Prefiro sentir o teu perfume ainda a despontar duvidas na minha corrente sanguínea, a não sentir nada. É sempre melhor quando não deixamos que o amor se vá por completo, ele fica ali a marinar no fundo do peito e aconchega-nos o ego assim como acalma a revolta e o medo do futuro. E mesmo que um dia não saibamos o nome dessa massa cinzenta que nos corre por inércia nas veias, sabemos que foi bom viver para a poder sentir. E por mais que isso nos afaste dos outros, aproxima-nos de nós próprios.
Não suportaria perder o amor que tenho por ti. Sei que me alimentas a aorta e que nenhuma outra criatura o faria tão bem. Não venderia memória nenhuma, embora abdicasse de todos os dissabores que outrora me fizeram crescer. Hoje fujo e tenho muros altos erguidos à minha volta. Tenho medo que todos tenham aprendido contigo; tenho medo que lhes tenhas contado o quão fácil é deslumbrar-me com gestos bonitos e bailarinas. Mas, ao mesmo tempo, sei que estou mais forte. Que aprendi a ser mais forte.
Sei que ficar quieta também é um acção e que requer mais concentração do que era de esperar. Sei que os sorrisos não são promessas para o futuro e que não há nada que o tempo não cure. Ou que vá curando. O resto da vida, se for preciso.

gostei muito (:
ResponderEliminarcomo sempre encantador *
ResponderEliminarGostei de ler*
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