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num lugar qualquer



 Olhava à minha volta e só tentava buscar explicações. Nas paredes, no ar, no tecto do meu quarto quase deserto. Tentei a todo o custo achar a razão, o motivo pelo qual me sentia tão estúpida e tão frágil naquele momento. Pensei em tudo, pensei que tudo me poderia acontecer ali e naquele instante que nada me iria doer tanto como o vazio. O vazio no meio da barulheira que os que ainda cuidam de mim erguem à minha volta. Pior do que o silêncio dos outros, é o nosso próprio silêncio. 
 Apertei-me com força contra a almofada e contrariei as lágrimas teimosas que não surgiam à imenso tempo. Não queria chorar, não queria aumentar as razões que o mundo inteiro tinha para me gritar que não estava feliz. Eu estava, eu queria tanto estar. Quis tanto que fosse mentira e que a paz dos últimos meses - que não se revelou nada mais do que uma anestesia a curto prazo - não se tivesse dissipado com o meu pequeno ataque de fúria.
Afinal, eu só queria uma explicação. Queria pertencer a algum lugar, encontrar um motivo e seguir em frente, como um barco que segue o normal percurso do rio. Queria muito estar de coração e cabeça cheios, com projectos com pernas e um ligeiro toque de magia. Queria que fosse verão outra vez, que o sol não me deixasse dormir porque havia ainda muita coisa para viver. Queria não falhar, comigo e com outros. Queria agarrar-me às asas do vento e ser, finalmente, alguém, num lugar qualquer.

Comentários

  1. " pior do que o silêncio dos outros, é o nosso próprio silêncio " *
    so really

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  2. assim espero * tal ocmo espero que o teu esteja a começar bem ,)

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