Escrevo sempre que estou desesperada - ou mesmo quando não estou. Ultimamente sinto a sede das palavras na ponta da língua, que se enrola fazendo um nó na garganta. Só as palavras me salvam; as letras, as sílabas, as metáforas e as anáforas, os sujeitos, os predicados, os complementos, os travessões, as vírgulas e os constantes pontos finais. Em todo o meu percurso, de todas as vezes em que senti que o mundo era demasiado grande para mim, e que nada do que fazia se ajustava à minha medida, lá estavam as palavras. No fim de tudo, no fim dos meus dias e no fim do fio que suporta o meu coração atrelado ao corpo, está a escrita. O cheiro do papel e da caneta que não se assemelham a nada que conheço, a leveza que é não ter limites impostos e simplesmente escrever. Espanta-me quem não as conhece, espanta-me que não as usem como eu, para um proveito que é tão próprio e tão meu. Entristece-me quando as desvalorizam, quando as usam sem as sentir como quem ama pela primeira vez e nunca mais se e…