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Mensagens

verdadeiro

Um dia vais lembrar-te de mim e perceber que tudo o que te fazia sentir era verdadeiro. Esse dia talvez seja aquele em que encontras alguém que desperte em ti tudo o que tu despertaste em mim. Talvez seja à noite, antes de adormeceres. Porque é à noite que eu sinto mais a tua falta. E talvez aí também sintas a minha.

ácido

Encontrei-me contigo do outro lado da vida porque é lá que me esperas, sempre com o teu sorriso delicioso e os teus braços abertos para me receber. Mesmo quando eu quero ficar longe de ti, mesmo quando eu espero que me dês o espaço suficiente para eu continuar a respirar.  Pouco me importa o que os outros pensam de mim, e o que eles pensam de mim contigo. Não me faz diferença que me cozinhem o cérebro com a lição que estudo à anos, a teu respeito. Quero lá saber se eles acham o meu amor doentio e a tua falta de carácter macabra. Eu gosto é de ti, e desse jeito atrapalhado que tens de gostar de mim. E lá no fundo da minha alma, eu percebo o quão errado lhes pode parecer. O meu hemisfério racional - que guardo com tanto afinco - teima em dizer-me o mesmo de todas as vezes em que perco a cabeça, só para não ter de o ouvir. Adormeço com a perfeita consciência de que amar-te é como um ácido corrosivo e altamente inflamável, e que depois de solto na corrente sanguínea, há que esperar uma mor…

tsunami

Eu sei que custa, e que dói. Mas tu já conheces esta dor de cor, sabes tão bem como lhe dar a volta, enfiá-la dentro do peito e sorrir. Tu sabes sorrir, sabes fazer das lágrimas gargalhadas sonoras, és um tsunami, uma verdadeira força da natureza, e eu nunca conheci ninguém como tu.  Sabes que ele volta, sabes tão bem que ele volta. Sabes o que lhe está dentro da alma, e que os sacanas nunca mudam. Podem até camuflar-se, podem parecer mais giros e até com algum brilho, mas mudar não mudam. A vida não os ensinou a mudar, a inverter o rumo, a sair para a rua e sorrir só porque sim, mesmo quando a tristeza nos invade o colchão e nos obriga a saltar da cama mais cedo.  Nem todos têm o teu privilégio, princesa. Sim, é uma sorte conheceres tão bem o engenho daquele que te magoa, pois saberás sempre onde é que a dor o domina e o deita ao chão. Sim, porque normalmente não precisas de lhes fazer nada, o tiro sai-lhes pela culatra e só mais tarde é que dão por isso. Deixa-os estar, a vida à de os…

algodão

Razão: - Avisei-te tantas vezes, estúpido.
Coração: - Eu sei, e tu também sabes que ouvi pacientemente os teus sermões, que os interiorizei e que isso só me trouxe medo. E eu não gosto do medo.
R: - Como sei disso. Preferes atirar-te sem esperar que o tempo te estenda o chão seguro que deves pisar. E agora estás aí, encolhido com medo que te partam.
C: - Não gosto quando me dizes que não devo, que não posso, que não queres. Eu quero, quero tanto que chego a rebentar pelas costuras. Quero tanto desafiar as regras, quero o colo que só aqueles abraços - tu também conheces os abraços dele - me dão, quero a felicidade a romper-me as artérias, quero acreditar sempre que um dia sou eu quem te dá uma lição.
R: - Espero ansiosamente, companheiro. Mantenho a mente deste esqueleto erguido aberta só para que um dia entres pela porta e me proves que a tua presunção em conjunto com essa mania doida de amares sem conta nem medida, te trouxe algum beneficio.
C: - Não deixes de acreditar.
R: - Olha para ti,…

não-sei-o-quê

Deixaste-me na cama e foste vaguear para a varanda, em bicos de pés para eu não te ouvir. E como gostas de pensar que eu não dou por ti, subtil por natureza. Eu deixo-te ir porque sei que voltas, com a mesma passada irregular e atrapalhada, só para te aninhares em mim e conseguires dormir.
 As bailarinas aquecem-me o coração, e tu deixas-me estar maravilhada enquanto elas dançam. E como eu prezo essa tua paciência de príncipe, assim como mimos nas longas viagens que traças só para me tranquilizares o espírito, e o som do piano de que não me canso só mesmo porque me lembra de ti e desse tom mel dentro dos teus olhos.  Não há nada como ter-te em mim, atado ao coração, preso às memórias e à tua infinita dedicação às minhas coisas, que sei que cuidas como se fossem tuas. Nada se compara ao teu sorriso, às tuas mãos enormes e aos teus sonhos coloridos. Ninguém é minimamente parecido contigo, nem mesmo os príncipes que desenho com as palavras nas minhas histórias. Em ti existe um não-sei-o-qu…

viagens

Setembro 2010:
 Lamento ter-me esquecido de tantas coisas, ter de olhar para trás, sentir na pele os anos que já foram, as dores na alma e no fundo do peito que aos poucos construíram a dura armadura que me aperta a caixa torácica agora. Correm-me no sangue as memórias, as duras saudades que sinto dos episódios mais caricatos que ao longo do tempo fui armazenando, as vastas colecções de sorrisos e lágrimas, os apertos fortes dos abraços que com alguma lamentável certeza já não verei, nunca mais. Triste é a minha mente, quando me esforço para recordar o rosto de alguém que dissipou, sem eu ver. Aperto-me com vergonha, da memória que me falha, do nome que não me lembro, das noites mal dormidas a divagar e a comer bolachas que hoje me esforço para manter na lembrança.  Devíamos poder guardar tudo em livros, com imagens a ilustrar, com o som da viola como fundo, com a noite só para nos embalar, para que a memória ficasse impossibilitada de falhar uma e outra vez, para que não escondêssemos …

armadura de açúcar

Estou coberta por aquele medo inocente de te perder, atormentada pelo coração aos pulos, inquieta devido ao frio que se faz sentir no meu corpo quando te vais, quando me soltas, quando te deixo.
Não vale a pena tentar fingir que não me importo, que não me iludo. O amor tem esse poder em mim, derrete-me a armadura de açúcar que gosto de trazer erguida à volta do peito, deixa-me despida e vulnerável ao palpitar leve do coração enrolado na magia que é gostar simplesmente porque sim, e sem que outro motivo me desinquiete o espírito.   Tenho mais medo ainda do que sinto, de mim mesma quando já não tenho mão nem ordem num corpo que sempre foi tão meu, na máquina pulsante que nunca deixei de trazer amarrada às artérias por receio que se perdesse. E perder o coração não é deixá-lo num banco de jardim, nem sequer se compara a perder a cabeça; perdê-lo é deixar que nos fuja das mãos quando ainda está ao nosso alcance, é vê-lo caminhar em direcção ao que o sangue anseia, é quase tão simples como …