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Mensagens

borboletas

Ele era tudo o que ela tinha. Era, porque não é mais. Deixou de ser, vá-se lá saber se se foi embora, se teve mesmo de partir. E quem parte, já não volta. Ouvira em tempos que o mais importante será resguardar o coração para aqueles que realmente merecem recebê-lo. Mas não serviu de nada. Nada serviu de nada. Ali estava ela, a dar o impossível, a prometer o improvável. Ela queria, e não há nada que impeça uma mulher de querer. Desejar até que se lhe doam as entranhas e o peito, do querer descabido e irracional.  Naquele momento, ele era tudo o que ela tinha. Era o chão da casa velha que construíram os dois, em tempos felizes que hoje despertavam nela o desejo incessante de reviver o passado outra e outra vez. Eram as flores colhidas entre a felicidade doida que é amar alguém que pode estar ao nosso lado, a gastar os ínfimos segundos da sua vida connosco, a encher-nos o peito de ar, coração de sangue e o estômago de borboletas. Ele era tudo. E ela ficou sem nada. Porque ele, ele part…

castelos e corações

Sabes o derradeiro momento, aquele em que finalmente consegues dar dois passos em frente, sem olhar para trás, sem te lembrares sequer que já foste infeliz e que o mundo te pode magoar. Isso surge e sentes que és novamente dono da tua vida, não há nada que te pare naquele segundo porque tu estás a viver, novamente, estás a ser, a existir, a tocar nos outros e a deixar que te toquem, lentamente, até que te levem onde já não vais à imenso tempo.  Nada como a bonança, o descanso do guerreiro que se revela, no entanto, a parte da história onde este finalmente se move. Move-se em prol de um bem maior: ele mesmo. Tal como tu. Tu que te apercebes que não há mais feridas em aberto no teu peito, que o passado é um tempo chato que tens de esquecer e que as mágoas são necessárias para que os sorrisos façam, de uma vez por todas, sentido.  Sabes aquele perfume, - aquele mesmo - já não desponta na tua corrente sanguínea a agitação de outrora, já não derruba o muro de coisas altas que ergueste só…

num lugar qualquer

Olhava à minha volta e só tentava buscar explicações. Nas paredes, no ar, no tecto do meu quarto quase deserto. Tentei a todo o custo achar a razão, o motivo pelo qual me sentia tão estúpida e tão frágil naquele momento. Pensei em tudo, pensei que tudo me poderia acontecer ali e naquele instante que nada me iria doer tanto como o vazio. O vazio no meio da barulheira que os que ainda cuidam de mim erguem à minha volta. Pior do que o silêncio dos outros, é o nosso próprio silêncio.   Apertei-me com força contra a almofada e contrariei as lágrimas teimosas que não surgiam à imenso tempo. Não queria chorar, não queria aumentar as razões que o mundo inteiro tinha para me gritar que não estava feliz. Eu estava, eu queria tanto estar. Quis tanto que fosse mentira e que a paz dos últimos meses - que não se revelou nada mais do que uma anestesia a curto prazo - não se tivesse dissipado com o meu pequeno ataque de fúria. Afinal, eu só queria uma explicação. Queria pertencer a algum lugar, enc…

tentar

Quero o teu coração a bater perto do meu. E o teu nariz frio a fazer-me cócegas na cara. Quero os teus mimos a aquecer-me o esqueleto. Quero não sentir medo, outra vez. Quero promessas bonitas. Quero o cheiro do teu perfume na minha roupa. Quero existir sabendo que existimos, que é verdade, que amanhã quando acordar lá vais estar para mim, seja à distância de um beijo ou de um telefonema. Quero-te e posso esperar. Mas também posso ir-me embora, fechar-me em copas e seguir em frente. Posso fazer castelos na areia ou então olhar em frente e comprar uma casa. E uma árvore fértil só para mim. Bem que posso tentar ser forte sozinha e fechar o coração. Mas também te posso trazer lá dentro, mesmo quando não queres ficar comigo, e até mesmo quando eu não posso ficar contigo. Ou então, se não ficar-mos juntos, podemos apenas ser felizes. Ou tentar.
p.s: um 2013 cheio de coisas boas, companheiros!

fechar a porta

Estás a sorrir-me como uma criança que acaba de roubar um doce. Escondes a satisfação por detrás desse ar de anjo caído do céu e não há nada que te segure. Só eu, nos meus braços. E só porque (ainda) gosto de cuidar de ti.  Mas agora, tens de ir. Chega de te enrolares nos meus lençóis, basta de promessas descabidas e jardins floridos desenhados nas paredes. Eu conheço-te e sei que não ficas mais do que este tempo, tal como não me amas mais do que aquilo que podes. Porque não podes mesmo, ou não sabes.  Aprendi a aceitar a forma efusiva como entras e sais da minha vida, mas ter-te aos poucos ainda me abala o ego e me deixa insegura, a desconfiar dos corações alheios como quem não conhece o chão que pisa.   E não posso permitir que me faças e desfaças os sonhos, que espreites pela janela mas que nunca me entres pela porta, de malas e bagagens, cheio de vontade de construir um castelo. Não te posso querer porque quer-te me esmaga o coração e me deixa o espírito abalado, e no fim nunca …

stay

E que acabe o mundo. Que acabem os carros e as casas. Que se extingam as pedras da calçada. Que terminem as noites de luar e as manhãs de nevoeiro. Deixa que se vão as pessoas e as suas rotinas. Deixa. Deixa que acabe a guerra e as lágrimas. Que acabe o barulho e a poluição. Que acabem as tardes de estudo e os cafés para acordar. Deixa que todos se vão embora. Fica tu comigo, fica.
p.s: actualizei a página "um pedaço de sol", visitem(-me).

não gostar de ti

Perdi-me tantas vezes em ti. Tantas. Sei de cor a tua alma leviana e posso até adivinhar o que vais dizer a seguir. Ainda assim, continuo com o desejo secreto de te querer mudar, virar-te do avesso, trazer-te comigo a toda a hora, apertar-te as bochechas e gritar-te baixinho ao ouvido que vivo apaixonada por ti.  Já são tantas as vezes em que te perdoo. E foram muitas aquelas em que te perdoei e nem soubeste. Fi-lo porque acho sempre que podes ser melhor, porque conheço o jardim florido onde habitas, onde não te deixas tocar, onde sossegas, onde sabes o que vales e o que tens para oferecer.  É sempre maior o que nos une. Endoidece-me que não me deixes nunca por completo, que cultives árvores férteis no meu coração, que saibas exactamente como me levar até ti, que me faças sonhar sem ser preciso estares aqui, embalando-me os sonhos e as vontades.  São de loucos, os nossos laços. É infantil a forma como te continuo a querer em noites cheias de bailarinas, a maneira estúpida como te es…