Deixaste comigo o pior de ti. Incutiste-me o teu medo estúpido do futuro, a preguiça permanente que os assuntos sérios te trazem e até a incapacidade de perceber qual é o limite. Às vezes, sinto-me tão próxima de ti que o tempo parece não passar. Fico ali quieta a ver-te correr por dentro dos meus olhos, a baralhar-me o cérebro. Sempre o fizeste tão bem.
Ao mesmo tempo obrigo-os a perceber. Fomos muito próximos. Eu vivi o meu amor por ti até à última gota, quis sempre o dobro do que me podias dar e nunca me senti cansada por tentar. Talvez me sinta um pouco hoje. Uma ressaca acumulada de medos e inseguranças aos quais pensei ter sobrevivido.
Só hoje quando olho para os estragos que fizeste na minha vida é que consigo perceber o quão destruída posso estar. Uma decadência bem moldada, presa às minhas entranhas, como um bicho feio que não se vai embora. Por mais que tente, por mais que o arranque com dentadas ferozes, ele regressa e acena-me no meio da minha própria confusão.
É ridíc…