Acordei novamente sozinha. Depois de tanto tempo a conviver com a ausência e uma cama vazia, sentia agora pelo corpo o frio daquele inverno demorado. Adormeci a ler uma história de amor. Páginas e páginas de declarações feitas com o coração e tantas vezes misturadas com o prazer mórbido que é amar alguém só porque sim.
Percebi que perdia tempo. As paixões fugazes não ficavam para me aquecer o esqueleto congelado, não me reconfortavam o ego moribundo nem me faziam sentir na pele o arrepio de um amo-te sussurrado ao ouvido. Tanto tempo a fugir do amor para acabar sozinha. O melhor teria sido entregar-me sempre, cabeça, tronco e membros, sem medo dos arranhões e dos dissabores que por aí vinham.
Gostava de ter arriscado mais. E embora falte muito tempo para a minha vida acabar, sei que não posso mudar o que construí. O meu medo não foge - nem mesmo quando encho o peito de ar e o coração de esperança. Eu é que fujo dele.
Entendi que à muito tempo que não buscava o amor nos outros. Gan…