Não sei ao certo quando deixamos de amar alguém. Não sei sequer se isso alguma vez acontece, se o amor apenas se transforma e se aperta dentro do peito. É por isso que nos custa tanto perder quem amamos. Os sentimentos compactam-se todos, numa reacção tão química que parece física, as memórias lá se enrolam bem umas às outras e o ser até parece renascer uns meses depois.
Mas essa coisa da dor, tem que se lhe diga. Não passa, não atenua mesmo que durmamos horas sobre o assunto. Continua ali, atrás da porta e entre as letras das músicas e as vírgulas dos livros. Não há analgésico, antidepressivo ou mesmo veneno fatal que nos remova do sangue o desgosto e a tristeza, as lágrimas de meia noite que até podiam ter ficado debaixo da almofada, mas por serem quase tão potentes como persistentes, nos correm pela cara assim que tocamos na ferida.
Deve ser por isso que gosto de escrever. Melhor, que me perco a escrever. Essa coisa da dor fica no papel, consigo olhar para ela, vê-la em forma, co…