Há dias em que sinto saudades do amor. Saudades de tê-lo a bater-me à janela num domingo de manhã; de vê-lo acenar-me por de entre a multidão, tornando tudo o resto quase tão minúsculo como inútil.
Nada ridiculariza tanto o mundo como um coração cheio. Nada sabe tão bem como um sábado de mimos e as mãos entrelaçadas debaixo do cobertor. Aquela coisa de ter alguém a segurar-nos em cima da palma da mão, com a confiança plena de que nunca, jamais, nos irá deixar cair. Mesmo que um dia, não só nós mas o mundo, desmorone.
Tenho saudades da confiança. Dos segredos e dos medos que não se partilha com mais ninguém. Saudades até de coleccionar manhas e manias, com o mesmo prazer e disposição de quem colecciona selos.
Mas, e ao mesmo tempo, não queria nada voltar a sentir o peito apertado. A almofada demasiado pesada para as horas em que o sono não chega porque o incerto nos inquieta a aorta. Acho que me cansei de amores vadios. Amores irrequietos, avassaladores. Não sei se haverá outra fo…