O mesmo filme, os mesmos actores, a porcaria do mesmo cenário e as cores pouco garridas dos nossos rostos.
Deves notar algum distanciamento na minha voz, às vezes gosto de ser assim, deixar-me levar até não sei onde e ficar por lá, por tempo indeterminado. Enche-me de orgulho a firmeza do meu tom ao dizer-te que não (não desta vez), e fico embevecida com o meu aspecto crescido ao espelho, como se os meses tivessem passado por mim como anos e eu agora já não tivesse obrigatoriamente de me sentir uma criança abandonada.
Talvez uma mulher sozinha, quase tão frágil como uma criança, com a alma ferida e o coração espezinhado, as mãos já gastas pela erosão de uma vida tão curta, mas ao mesmo tempo tão dura.
Estás a rir-te da minha expressão séria e do meu ar autoritário, brincando com os fios do meu cabelo quando em simultâneo eu te descarrego uns quantos palavrões em cima, em conjunto com a raiva que se tende em formar dentro da minha traqueia, sufocando-me. Sorris-me subtilmente, fechas os olhos e voltas a abri-los, adoptando em seguida uma postura rígida, pouco convincente por sinal.
Beijas-me a ponta do nariz e frisas com os teus dedos as rugas da minha testa, soltando um breve suspiro - praticamente inaudível - e levantas-te como quem não quer a coisa, fechando a porta devagar para eu não te ouvir.
p.s: eu oiço-te sempre
adorei este texto :D está muito bonito :)
ResponderEliminarjá tinha comentado este texto mas não sei se ficou gravado :/
ResponderEliminarMais uma vez gostei muito do texto :)
revi-me na descriçao de furor " dela "
ResponderEliminaro teu comentario foi uma fofura*
é impossivel nao ser assim nao é alexandra ?
ResponderEliminarnao daria pra ser de outra forma.
gostei muito ! *
ResponderEliminarohm.. obrigada :)
ResponderEliminarirei vê-lo assim que possa :b
ResponderEliminarwoow, este texto está maravilhoso ! adorei
ResponderEliminarmuito obrigada mesmo querida