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pegadas

 Espero sinceramente que esta carta te seja entregue em breve, ou talvez até queira que alguém a perca pelo caminho e que ela nunca chegue até ti. Sinceramente, e sem nenhuma fé no destino, espero que ele faça com isto o que bem entender.
 Agora, e sem qualquer noção do tempo que passou desde ultima vez que te ouvi o timbre, quero que já te tenhas tornado no homem alto e bonito que tenho vindo a criar na minha mente. Anseio que o tempo tenha feito por ti aquilo que fez por mim e que hoje, embora conservando esse sorriso mimado que nunca me passou ao lado, estejas sóbrio e inteiro, como o guerreiro que te pedi que fosses.
 Costumavas dizer-me que já não existiam guerreiros, acabavas com as minhas fantasias para um futuro próximo   e teimavas em apertar-me contra ao peito, dizendo-me que não existia futuro nenhum onde tu tivesses de lutar sem mim, porque os príncipes e as princesas vivem felizes para sempre. E nisso acreditávamos os dois, tão piamente que nada, até hoje - creio eu - nos destruiu o sonho, pelo menos esse.
 Espero que estejas a sorrir, e gosto de guardar por inteiro o teu ultimo sorriso em conjunto com o beijo atrapalhado que me espetas-te na testa, onde toda a tua ternura foi depositada naquilo que era - e nós sabíamos - a despedida. 
Olhei muitas vezes para trás, esperei que voltasses, e ainda senti os teus dedos frios a acariciar-me os pulsos como quando voltavas sorrateiramente por de entre a minha fúria. A verdade é que esperei, pensando muitas vezes que o meu destino era igual ao de Penélope na infinita espera pelo seu Ulisses.
 Deves questionar-te muitas vezes se desisti mesmo, se te apaguei da memória e do coração como quem faz delete do passado, se estou tão feliz como sempre te garanti que estaria e se encontrei o amor perto de outro corpo e por outras bandas.
 Vou responder-te terminando, garantindo-te que tenho dentro peito as pegadas fundas do ontem, que a memória é só um acessório quando comparada ao coração e que esse, por mais anos que passem, nunca deixa de acreditar nos príncipes e nas princesas, que vivem felizes para sempre. Só que a vida, meu amor, essa manda-nos seguir.


A expressão cansa-me mas o sentimento corre-me nas veias: morro de saudades tuas.



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