Avançar para o conteúdo principal

barafunda


Lá no fundo da minha alma, ainda procuro o teu coração. Os corações são como fósseis do passado: agarram-se firmemente aos calhaus imensos suspensos no nosso corpo, deixam a marca e ficam também eles marcados pela erosão do esquecimento.
 Nas gavetas espalhadas pela casa onde habitaste, ainda existe vestígios do cheiro a mel que te perseguia, porções de magia esquecidas num dia de maior barafunda, que a poeira cobre e o tempo consome, sem dó.
 Não lamento a imensidão do espaço entre os nossos corpos, o meu lugar nunca foi contigo, embora sempre me prendesse a ti como uma âncora teimosa. E tendemos sempre a amar o que nos mata, morrendo de desejo, sufocados pela paixão avassaladora que no fim de tudo, nunca foi muito além do capricho.
 Amar-te não era fácil mas lidar com a tua falta de amor era bem mais doloroso. E foi por isso que icei a bandeira e declarei paz, acabando com o frenesim incessante que era a minha vida contigo no meio, a fazer tremer as minhas pernas e a apertar-me o peito com a intensidade que eu reconheceria sempre, a milhas de distância.
 Mesmo assim, trouxeste à minha vida algo tão poderoso e tão puro, envolto em sinfonias loucas e noites sem sono, algo a que chamo força, a força do amor.

Comentários

  1. obrigada meu bem, de coração. obrigada! mas nãos sei mesmo que fazer. obrigada <3

    e deixa-me que te diga que adoro sempre os teus textos*

    ResponderEliminar
  2. que bonito alexandra *o* "e tendemos sempre a amar o que nos mata(..)", adorei.

    ResponderEliminar
  3. gostei muito. vou seguir*

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

tudo o que sentires, será bem vindo ♥