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a espera


 Diz-me porque motivo eu teria de ficar aqui, dá-me uma boa razão para que eu esperasse por ti, nesta espera que me parece infinita, neste desespero sufocante e nesta agonia incerta de não saber se vais voltar. Explica-me, com palavras e sem gestos, sem beijos arrebatadores e olhares de cortar a respiração, algo concreto que eu possa tomar como certo, uma esperança plausível para eu perca o medo de esperar por ti.
 Não me aventuro naquilo que sei que não alcanço, já devias saber. Tem em conta o meu medo do mundo quando me mandas aguardar um pouco, uns breves e leves segundos até que me tomes nos braços novamente. Não sou de esperas, preciso de ti num exacto momento chamado sempre, e só a eternidade me garante um respirar sereno durante a noite, quando não estás e tardas a bater com a porta do quarto, sempre do mesmo jeito. É a tua presença constante que trás ao esqueleto que ergo a firmeza dos seus membros, e nada me poderia trazer mais segurança do que esse sussurrar ao meu ouvido, essas gargalhas sonoras perto do meu peito, aquele aconchegar de corpos quando a noite chega, e o prazer também.
 Mas se me mandas esperar não sei responder ao teu pedido, é como implorar para que o sangue que te sai do coração te chegue ao cérebro, e o ar que sugas te chegue aos pulmões. É aguardar pelo derradeiro acontecimento naquele determinado momento, e perceber no final dos finais, o que esperas, já mais irá chegar.

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