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lixo


Estou a ver-te da janela e sinto as saudades a apoderarem-se sorrateiramente da minha máquina pulsante, é como se os restos do nosso amor ganhassem vida depois de reduzidos a cinzas. 
 Já perdi a conta às vezes em que te joguei fora, como uma carta fora do baralho, e depois de resgatei durante a noite quando o vazio me invadia como um cão faminto. E tu sempre pronto a ser deitado fora, funcionas como lixo e vives feliz assim, arruaceiro delinquente, sem tecto nem chão.
 As saudades não perdoam, e mesmo depois da nossa história ter finado, o meu coração sente a necessidade absurda de que eu grite o teu nome, de que o escreva em cartas de mil páginas, de que volte a desejar o teu corpo, como se nunca tivesses saído da minha vida.
 O amor é mesmo assim, dizes. Só sei sorrir quando ousas falar de amor, logo tu meu sacana, que não soubeste nada da vida enquanto esta não te caiu em cima, logo a tua pessoa que vive e há de morrer sem nunca ter sentido a paixão dentro das artérias, a borbulhar dentro do sangue. 
O amor, digo-te, não segue estereótipos, não está reservado aos ricos e não se envergonha de viver nos corações dos mais pobres. O amor é idiota, tal como tu, cego e criança, e sente-se na ponta dos dedos enquanto a caneta desliza, coberta de sonhos e outros afins, que nem os olhos mais limpos alcançam. Este amor, que reservo, resume-se ao que sinto quando escrevo por ti, para ti e sobre ti, e não aos restos do que abominaste dentro de mim, às cinzas de um pretérito eternamente imperfeito, e ao meu coração, sempre desfeito no meio lixo.

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