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Príncipe sem encanto


Agora passa rápido, agora custa, agora dói. Hoje é mais longo, mais duro, mais complicado. Ontem era mais bonito, mais leve, mais puro. Amanhã não há, fugiu, morreu.
 Estás à minha espera e eu à tua, como uma cinderela abandonada, sem sapatos nem carruagem. Largaste-me aqui e foste ver se havia chuva do outro lado da margem. Sacana.
Tenho a dizer-te que fugi para longe, cansada do tempo que demorava a passar, cansada de imaginar regressos e noites de lua cheia, farta dessas promessas de príncipe sem encanto. Perdoa-me se voltaste depois, se chamaste por mim e eu não te ouvi. Desculpa se deixei que te afogasses em lágrimas como eu, e depois não quer querido saber, como tu.
 Estou inteira, embora saiba que já nada volta a ser igual; corri para longe e ainda apanhei a minha vida a tempo, dei-lhe um nó na ponta e ateia-a ao pulso para que nunca mais voltasse a fugir, para que ninguém mais a voltasse a agarrar para depois fugir com ela.
E gosto muito de ti, sim, mas longe do meu coração - mesmo que o amanhã nunca mais volte a ser o mesmo.

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