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aspirina


Eu quero é escrever, que se lixem as outras artes. Gritei-te. Mesmo assim, pegaste em mim e levaste-me a ver as bailarinas, enquanto eu me roía de inveja por nunca ter conseguido dar um passo correcto, e mesmo assim, masoquista de coração, continuar a amar vê-las dançar. Redopiam tão levemente, observavas. Eu também redopiava, quando estavas comigo, quando me abraçavas e quando me fazias coisas destas, verdadeiras atrocidades ao meu ego que me sabiam como ginjas no final de um dia preenchido.
 Não sei se algum dia me perdoaste por adormecer nas viagens de regresso a casa, eu bem sei que as tuas costas se queixavam, reprimidas pelo peso do meu corpo ao teu colo. Mas eu pouco me importava, os teus mimos funcionavam em mim como aspirinas em dores de cabeça, infalíveis!
E também não me lembro de te ter agradecido por isso, sempre fui uma desmembrada. Os meus pés nunca me obedeceram e as minhas mãos, essas, estão directamente ligadas ao coração. Escrevo com a artéria aorta, contei-te a rir-me. E escrevia mesmo, escrevia para ti.
 Pena que já cá não estejas, continuo a escrever-te. Uns dias mais que outros, mas sempre com o coração. Como a bailarina sem membros que gostavas que eu fosse. Escrevo sim, quando o faço vejo-te sentado no chão a olhar para mim, e volto a acreditar, que foi o que de melhor aprendi contigo, companheiro.

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