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vinagre


Olha para mim, a escrever para ti, a lamuriar pelos cantos, a implorar que te vás embora. Lamentável que ainda aqui venha para isto, para alimentar este triste cenário. 
 Não nego que o faço para te sentir junto a mim, perto dos meus dedos, palpável até ao mais ínfimo pormenor. Faço-o porque me alimenta o espírito, porque me reaviva as memórias, e porque no fundo do meu peito tu és a pedra cravada e esculpida à minha medida, e eu não tenho como te arrancar de lá. 
 Não te culpo, a responsabilidade é minha, que me sujeito a tal calvário só porque nunca sei bem como viver, como me apresentar perante os outros quando ainda escrevo para ti, para afogar a mágoa de nos ter-mos deixado um do outro. E ainda te amava quando te deixei, era um amor maior que o meu peito e eu nunca soube bem o que fazer com ele. Guardei-o na esperança de um dia poder recordá-lo sem dor, mas és como vinagre em cima da minha ferida e eu não encontro maneira de me libertar.
 E se queres saber o que penso de ti, não passas de um objecto fácil da minha imaginação, um príncipe mascarado que me leva ao extremo e que no fim de tudo me deixa de rastos. Sim, completamente de rastos.

Comentários

  1. pois é princesa, e eu finalmente estou a mentalizar-me que isso é mesmo verdade, já ninguém muda por ninguém, nem por si próprio.
    adorei o post, mais uma vez **

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  2. mais uma vez está perfeito, alexandra. muita força!

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