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criança


Não lhes falei de ti, meu amor. Mas estou deliciada, porque voltaste a levar-me a ver as bailarinas. E só tu sabes o efeito que isso tem em mim, sabes ler-me no sorriso a verdadeira expressão de felicidade cada vez que o soar do piano se faz ouvir, e elas lá vão voando, sobre o palco e sobre os nossos corações, enrolados a toda a hora.
 És um verdadeiro príncipe porque me fazes achar a mágoa a coisa mais ridícula deste mundo, a seguir da dor e do aperto no peito, que se instala sempre que tardas em chegar. Tens-me dado sossego, falas baixinho sobre o meu peito e deixas-me adormecer a ler-te poesia, mesmo que os teus tímpanos implorem por segundos de silêncio. Ouves-me sempre, com essa agilidade certeira que tens para as pessoas, e para mim, que não sou pessoa nem gente, que vivo mais entre o irreal e o impossível, e que mesmo assim, me encaixo em ti como uma peça de um puzzle.
 Continuo a não segurar as pálpebras nas longas viagens de regresso à nossa casa, onde metes a nossa música num volume delicioso para os ouvidos, e me agarras a mão, para brincares nos meus dedos. Não evito adormecer porque não posso negar a paz que me dás, o sossego saudável que és para o meu pobre coração, sempre ansioso para que me deites na cama, e te agarres a mim.
És a minha paz porque me fazes esquecer os outros, e me tornas a bailarina mais desajeitada que o mundo já conheceu. És o meu alento, e a tinta para a minha caneta. O brilho dos meus sonhos e o verdadeiro sentido da minha vida. Por mais longe que estejas, estás sempre perto, a encher-me a alma de mimos, como se eu nunca tivesse deixado de ser uma criança. A tua criança.

p.s: obrigada pela força companheiros, mas não gasto mais palavras com a dor.

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