Conheço-te bem, ou talvez não. Talvez esta seja só mais uma suposição macabra do meu coração, na esperança fútil de procurar uma verdade.
Escrevo-te agora que já te foste, depois do sol se pôr como é costume, só para te deixar uma sílabas carregadas da saudade louca que tenho de ser feliz, em pequenos instantes, como era contigo. Aprendi a andar com o copo meio cheio, meio vazio para te poder acompanhar, sempre controverso e confuso, com a passada larga e irregular, como se nada no teu cérebro fizesse sentido.
Irónico é eu escrever-te, sim. Quando nunca o fiz, quando a necessidade de rabiscar palavras em tua honra nunca foi imperativa, mesmo quando te amava no limite do muito, com o copo quase cheio da tórrida mania que eu tinha de gostar de ti. Os meus vocábulos só te eram dirigidos quando me pedias que desenhasse sentimentos, mas já mais enchi o copo, assim como nunca o esvaziei.
Tornei-me cúmplice de um desenlace bem bicudo, enrolei-me em mim e na estúpida de vontade de ficar contigo até me doerem os ossos do peito, e agora cá estou, a soltar para fora o que durante tanto tempo não te soube dizer, desenhar ou escrever.
Porque, perder não significa cair, morrer. Perder é uma aprendizagem saudável, sensível, vulnerável. Custa e arde, como sal em cima da ferida, mas no fundo serve para sarar arranhões antigos e começar de novo. Todos os dias, a toda a hora. Esteja o copo meio cheio, ou meio vazio.
gostei do post *
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