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verdadeiro amor


 Não existem analgésicos, nem anestesiantes, nem poções milagrosas para apagar a memória, nem a dor, nem o próprio amor que soa tão inconveniente nestas situações. Mas aprendemos a sobreviver, a achar piada ao facto de adormecer-mos com a ideia de que o acordar será uma meta inatingível e aos poucos nos apercebemos que pensamos nisso noite após noite.
 São os amigos, no seu estado mais puro e verdadeiro que vão sendo lenços para as nossas lágrimas, carregadores perfeitos para as nossas baterias. São os irmãos de outro sangue que nos envolvem o coração num novelo de paz, cheios daquela luz que só a cumplicidade e o tempo lhes atribuem.
 E nestas alturas não olhamos à volta, não tentamos perceber se o conforto que nos proporcionam é absoluto ou apenas passivo, deixamos só que nos embrulhem numa manta quente, para deixar-mos correr à vontade as nossas lágrimas. Perdemos a vergonha e o medo de acreditar no mundo, porque temos a alma o coração feridos e porque tudo o que precisamos - toda a vida - é de amor. Pouco interessa de onde ele vem, não precisa de ser bonito, rico e destemido, chega-nos que seja verdadeiro.
Porque o verdadeiro amor está aqui, nos pequenos gestos daqueles com quem sabemos que podemos contar, dentro do peito dos que não nos largam a mão, daqueles que mesmo exaustos do seu caminho arenoso, nos levam ao colo e caminham connosco nos braços, garantindo sempre que o tempo de que precisamos para nos erguer, passa por nós da maneira mais leve e indolor possível. E a todos eles, dou o meu coração.

Comentários

  1. meteu-me a chorar pelo simples facto de me ter identificado até bem de mais.

    « perdemos a vergonha e o medo de acreditar no mundo, porque temos a alma e o coração feridos e porque tudo o que precisamos - toda a vida - é de amor"

    nada mais ... verdadeiro

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  2. meu deus, tu escreves mesmo bem! fantástico querida :) **

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  3. nem todos os choros são maus (: as vezes faz bem relembrar sentimentos e coisas... obrigada pela força, muito obrigada mesmo.

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