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primeira vez


 Ouvi-te falar de amor e ri-me baixinho, escondida neste silêncio acolhedor que a paz me proporciona, onde me nego a sentir seja o que for, só para não quebrar nem um pouco deste sossego. 
 O amor toca a todos, das mais variadas formas e feitios, coberto de véus ou claro e preciso como uma flecha, cheio de doces ou regado com o gosto amargo da distância, da partida, da dor. E amar é um verbo que se conjuga com o mesmo sentido independentemente do pronome, sem preconceitos seja lá qual for o sujeito. Sem erros, sem falhas, sem medida, por mais que o idioma varie. 
 Mas ouvir-te falar de amor faz-me cócegas no céu da boca, aguça-me os sentidos e põe-me alerta. Só porque eu acho que o teu amor por mim se conjuga de muitas formas no mesmo tempo, e mesmo quando falas de amor noutras línguas, parece-me sempre que mo segredas ao ouvido no mais puro e belo Português.
E não é que não sejas tão vulgar quanto eu, igual aos outros que deitei na minha cama só para aconchegar o coração; mas sabes falar de amor sentindo as palavras a borbulhar na ponta da língua, e isso não podia funcionar melhor em mim. E se finges, fá-lo com classe, com destreza e com apego, e só isso me faria perdoar-te tão caprichosa mentira.
 Ainda assim, divirto-me só com o teu sentimento, embrulho-me nele para não me sentir uma amante solitária, mas permaneço na convicta teimosia de me negar a sentir seja o que for, só para não despontar em mim o desassossego típico de quem ama, muitas vezes e em todos os tempos, como se aquela fosse sempre a primeira vez. 

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