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travesso


 Já vi este filme acontecer. Como uma curta metragem em câmara lenta, projectada no interior do meu coração. 
Viras-me a casa do avesso, remexes a mobília que tão meticulosamente tinha arrumado ao fundo do peito, na esperança fútil de que nada, já mais, saísse do lugar.
Mas esqueço-me que tu és tu. E vá se lá saber porque é que és tu e não outro. Talvez porque tens ar de príncipe, e um coração às cores, ou mesmo porque não és para mim e eu gosto da batalha constante que a minha teimosia trava com o meu cérebro séptico, sempre que tendes a escorregar-me por entre os dedos.
 Não é que eu não aprenda nada com os erros, ou que feche os olhos às cabeçadas que vou dando nas portas que já me fecharam, e mesmo naquelas que fechei a mim mesma. Não é que não tenha medo, nem que não seja suficiente forte para o enfrentar, nem é por nada que se pareça. Eu só gosto de acreditar em ti, mesmo quando me mentes. E gosto ainda mais de aldrabar o coração e fingir que nada se passa, que o teu toque não tem o mínimo efeito em mim, e que as palavras que desenho no papel são apenas o fruto da minha imaginação travessa, sempre o menos convencional possível.
Mas deixa lá, um dia hei de aprender a gostar de ti aos bocados de cada vez, e não por inteiro como tenho feito até hoje. Hei de tatuar as letras do teu nome no peito, uma de cada vez, com toda a calma e leveza que o futuro nos trás. Hei de te ensinar que o amor é uma coisa que podes sentir todos os dias a toda hora, sem nunca te esqueceres no quão reconfortante é torná-lo possível.


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