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sossego


 Desta vez chegaste cedo, meu amor. Nem dei por ti, confesso. Gosto mais quando te aninhas em mim sem eu perceber e me fazes rodar levemente até me apertares com toda a força do mundo.
E como eu gosto que me apertes até doer, até que os meus músculos peçam descanso e o meu coração se agarre a ti como uma criança.
 Já tinha saudades do cheiro leve do teu perfume nas minhas mãos, de te ver perdido algures na minha cama, sobre os lençóis meio desfeitos e o amontoar de almofadas. Morria de saudades das bailarinas, e do som do piano dentro da minha cabeça, a lembrar-me que tu eras a causa do meu sossego, que és o meu maior sonho e que posso construir nos teus ombros a minha casa, sem nunca correr o risco desta ruir.
Só porque és calmo mesmo quando me agitas, mesmo quando foges e não dizes para onde vais, quando sais a correr e não me escreves cartas, quando o mundo quebra e tu te mantens intacto.
 E por isso me ensinas a andar na corda bamba sem medo, deixas-me saltar-te para o colo e adormecer de cansaço, mesmo quando eu quero ficar mais um pouco, a ser forte como tu.

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