Não vale a pena tentar fingir que não me importo, que não me iludo. O amor tem esse poder em mim, derrete-me a armadura de açúcar que gosto de trazer erguida à volta do peito, deixa-me despida e vulnerável ao palpitar leve do coração enrolado na magia que é gostar simplesmente porque sim, e sem que outro motivo me desinquiete o espírito.
Tenho mais medo ainda do que sinto, de mim mesma quando já não tenho mão nem ordem num corpo que sempre foi tão meu, na máquina pulsante que nunca deixei de trazer amarrada às artérias por receio que se perdesse. E perder o coração não é deixá-lo num banco de jardim, nem sequer se compara a perder a cabeça; perdê-lo é deixar que nos fuja das mãos quando ainda está ao nosso alcance, é vê-lo caminhar em direcção ao que o sangue anseia, é quase tão simples como dá-lo de mão beijada, sem o dar.
E melhor que dar o coração é deixar que este se perca, que procure o rumo sem que nos pergunte onde, que voe alto e que se deixe cair sobre os lençóis da nossa cama, depois de morto e maltratado pela vida, quem sabe um dia ele aprenda a amar, e já não volte.
a sério que dos "blogueiros" que conheço és a melhor (:
ResponderEliminar