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não-sei-o-quê


Deixaste-me na cama e foste vaguear para a varanda, em bicos de pés para eu não te ouvir. E como gostas de pensar que eu não dou por ti, subtil por natureza. Eu deixo-te ir porque sei que voltas, com a mesma passada irregular e atrapalhada, só para te aninhares em mim e conseguires dormir.

 As bailarinas aquecem-me o coração, e tu deixas-me estar maravilhada enquanto elas dançam. E como eu prezo essa tua paciência de príncipe, assim como mimos nas longas viagens que traças só para me tranquilizares o espírito, e o som do piano de que não me canso só mesmo porque me lembra de ti e desse tom mel dentro dos teus olhos.
 Não há nada como ter-te em mim, atado ao coração, preso às memórias e à tua infinita dedicação às minhas coisas, que sei que cuidas como se fossem tuas. Nada se compara ao teu sorriso, às tuas mãos enormes e aos teus sonhos coloridos. Ninguém é minimamente parecido contigo, nem mesmo os príncipes que desenho com as palavras nas minhas histórias. Em ti existe um não-sei-o-quê de magia, envolto na felicidade histérica que é ter-te comigo com a única intenção de te amar, mesmo que algum dia isso deixe de ser possível.
 E não vale a pena tentar dissuadir o coração, dizer-lhe que o amor camufla as pessoas e que os sonhos se vão, mais tarde ou mais cedo. Ele acredita em ti, como nunca acreditou em mais ninguém.

happy valentine's day, companheiros 

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