Já era tarde quando me entraste pela janela para te aninhares em mim. Era tarde em muitos sentidos. Tarde para o relógio parado que tenho na parede, para os meus vizinhos que rosnavam baixinho por causa do barulho, para o meu corpo que só queria descanso, era tarde para o meu coração.
Embora nunca seja tarde para o amor, para o teu amor por mim, que surge esporadicamente e sempre a altas horas da madrugada. Nunca é de mais o tempo que espero por ti. Mesmo que o teu coração chegue gélido aos meus lençóis e que o teu corpo nem sempre encontre a melhor maneira de se encaixar no meu. Acabas sempre por conseguir, por entrar em mim e fixar-te nas minhas artérias, o teu cheiro acaba sempre por ficar preso às minhas almofadas, e eu presa a elas, quase algemada.
Tenho procurado o melhor antídoto para esses regressos, esses verdadeiros atentados à minha sanidade sentimental, embora seja imune à maior parte deles. Tenho escrito sempre com o intuito de te exorcizar, embora acabe sempre por alimentar mais um pouco aquela veia cruel que liga as minhas palavras ao teu nome, o teu corpo ao meu colchão, o meu amor ao teu coração.
Coração esse inexistente, fraco, débil. Coração cheio de ar, que enche o meu de esperança. Coração de quem vive a vida num segundo, de quem ama às metades, ou até de quem nunca amou. Coração ao vento, livre, solto, teu.
voltei coração. está adorável <3
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