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primavera


 São já muitas as cartas que te escrevo e que rasuro em seguida, e tu sabes que não sou de meios termos. Sempre te escrevi que nem uma louca, sem parar um único segundo para aparar a coerência dos meus próprios factos. Nunca deixei de te enviar os rascunhos dos meus sonhos, pois sempre me ajudaste a entrar neles de cabeça. Não com a cabeça é verdade, pois tu só usas o coração. E por vezes, nem esse sabes usar.
 Queria contar-te o meu dia com detalhes, encher as linhas com o brilho do sol que agora nos visita mais cedo, poder mostrar-te como já cheira à primavera, quantificar sentimentos e descrever-tos ao pormenor por saber que irias entender. Queria falar-te dos homens e do quão complicado continua a ser para mim lidar com o amor. E com o meu amor por ti. Gostava de poder ensinar-te tudo sobre o que já sei sobre as princesas, para que mais tarde ensines aos teus filhos o quão bom é encontrar uma.
Preferia que os teus filhos fossem os meus, e que juntos pudéssemos incutir-lhes cada detalhe sobre cada coisa, de forma apaixonada para que crescessem a acreditar. Não para os libertar do vazio - porque esse toda a gente encontra - mas para que dessem mais valor à sorte que é conseguir preenchê-lo.
Contudo, se o teu futuro não for comigo e se tiveres que ensinar sem mim os teus filhos a amar, não hesites em contar-lhe a nossa história ao pormenor, e não tenhas medo se o teu coração (ainda) bater mais rápido quando o fizeres, tenho a certeza que isso também me vai acontecer.

Comentários

  1. sabes o que sinto ao ler os teus textos ? que esse turbilhão de sentimentos em ti são muito intensos mas ao mesmo tempo instáveis e que esse ultimo aspecto da "cabo" da tua felicidade

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  2. Amor esta lindo... Como tudo o que escreves, mas este, esta particularmente tocante

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