Avançar para o conteúdo principal

cimento


Não tentes definir o amor. Podes parar de querer dar-lhe cheiro, sabor ou até cor. Deixa de me pintar, não me enfeites mais porque o amor não se vê. O que me penduras ao peito não passam de ilusões, réplicas imperfeitas do sentimento, projecções do teu afecto forçado e sem nexo, e nada disso me chega ao coração.
 E se pensas que acredito, aldrabas-te a ti mesmo. Insisto nessa fantasia porque sou naturalmente apaixonada por ti, e mesmo que só me ofereças pilares de esferovite, eu vou sempre conseguir prendê-los firmemente ao chão. E tu não sabes viver sem essa massa que te equilibra, esse cimento colorido em que te envolves por minha causa, por não saberes desistir de mim. 
Porque desistir de mim implicaria desistires de ti, mesmo que mais tarde te fosses encontrar algures na cama de  uma outra alma penada. Mesmo que o teu coração voltasse a palpitar igualmente e esses calafrios te cobrissem o corpo por inteiro. Irias sempre desistir, e iriam sempre desistir de ti. E isso é tão certo, seguro e natural, como o meu amor por ti.

Comentários

  1. Uma vez li que o amor é como um elástico. Cada um a puxar de um lado, se um deles soltar... magoa o outro...

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

tudo o que sentires, será bem vindo ♥