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 Vais lembrar-te do meu cheiro, um dia. Vais tentar imaginar o meu rosto e não vais conseguir, porque a distância apaga os traços e os contornos. Vais querer uma mensagem minha, um beijinho no coração. Vais procurar-me junto ao teu corpo, vais remexer os lençóis, as almofadas e os baús das recordações. Vais ler as nossas conversas, vais rele-las e perceber que um dia até gostarias de escrever um livro. Vais perceber que o que sentiste foi amor, que a dor é algo que só vem depois, porque custa. 
Vais querer que te abrace, que te mexa no cabelo que te prometa que vai ficar tudo bem. Vais implorar o meu colo, o meu sorriso e o som da minha voz. E vais esquecer-te de tudo, mesmo que todos os dias te lembres, porque a memória só sobrevive se for alimentada.
 Vais procurar-me, vais achar-me e perceber que estou mais alta. Vais querer falar comigo, relembrar a forma como articulo as palavras. Mas terás medo, medo dos teus próprios erros, das vezes em que não fizeste nada para ficar comigo, para me guardar, para nos manter. Vais chorar muito, vais perceber que ainda és um miúdo e que a vida lá fora é bem mais dura do que parecia ser. Vais sentir saudades minhas, saudades das vezes em que te amei mais do que a mim mesma. Saudades do meu coração, do meu silêncio, dos meus choros, das minhas mãos, do meu pijama, dos meus sonhos e dos meus pesadelos. Vais morrer de saudades, só mesmo porque mataste o amor. E matar o amor de alguém é o mesmo que derramar o leite  e esperar que ele volte para o copo. O leite não volta, e o amor também não. 

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