Estás longe e vais demorar a ler esta carta. Mas espero sempre por ti, está-me no genes, e se o teu coração te obrigar a esperar até leres o fim da nossa história, não hesites nem temas, a vida há de te levar até mim.
Não sei se é bom falar-te de amor, não sei sequer se algum dia foi bom fazê-lo. Mas vivo tão aterrorizada com o vazio que tive de te contar a imensidão daquilo que despertavas em mim, como quem acende uma fogueira. E sim, talvez nunca tenhas percebido, talvez o meu coração não saiba chegar ao teu e por isso vivemos agora em pólos tão apostos que só te vejo quando desces aos meus sonhos e por lá pernoitas, até a maldita luz do dia me despertar para a realidade (realidade dura esta, sem ti).
Mas habituei-me a acordar com a tua ausência, sem o teu cheiro na minha almofada, sem o teu corpo colado ao meu a qualquer altura do dia, e esse hábito tomou-me conta do esqueleto, e agora penso que já não sinto a tua falta. Embora toda a minha vida continue a implorar-me a tua presença, eu descanso sabendo que estás bem.
E é sobre esse descanso que adormeço, coberta de uma paz fingida que me engana só porque não quero mesmo voltar a sofrer, e porque o tempo faz milagres, e mesmo que não faça, eu vou continuar a querer acreditar que sim. Porque o amor não precisa de motivos, mas as falta de amor precisa. Ou se ela não precisar, preciso eu. E muito. De motivos e de ti, comigo, enrolado, em mim, agora. E sempre.
p.s: não me deixes morrer de amor.
sempre tão lindo *
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