Chorei. Por tudo o que fomos. Por aquilo que ficou por viver, pelos castelos na areia. Chorei pelos sonhos, outrora perdidos. Por nós, pelos erros que cometemos. Juntos, separados. Lembrei-me do quão frágil é o amor vivido em conjunto, sempre na tentativa vã de achar uma explicação. Sempre a não querer amar tanto e por isso mesmo, amando mais a cada dia. Tive pena, lamentei todas as minhas imperfeições, implorando a um Deus qualquer que amanhã o sol também pudesse brilhar para mim. Senti-me inútil, uma inútil a viver um sonho.
Chorei e não me senti melhor, se queres saber. No fundo, chorei por saber que isso era a única coisa que me restava fazer por nós. Para descarregar a consciência, para gozar o luto, para mostrar ao mundo que me dói o coração. Embora eles nunca saibam, já mais, a intensidade dessa dor. Chorei para que me abraçassem, para que o chão não fosse tão duro, para que algo fizesse sentido. Numa tentativa de achar o norte e o sul, o céu e o mar.
Não tive medo, fechei os olhos até me doer a alma, até que essa dor superasse todas as outras que eu estava a sentir. Senti-me cobarde, completamente cobarde. Infeliz, pobre coitada. Senti-me um jogo, um truque de magia falhado. Mas soube engolir a mágoa até não restar mais nada.
Então lembrei-me que descobri o amor, contigo. E senti-me inútil, uma inútil a viver um sonho.
adorei!
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