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princesa



 Olha. Vês como a tua vida seguiu sem mim? O teu coração continuou a bater, esse sangue quente a correr-te nas veias. Estás igual, as lágrimas só te desfiguraram as pálpebras por segundos. Igual não, estás mais forte, mais decidida, cheia de ti até à ponta do cabelo. 
Vês como dia continuou a amanhecer? Bem te perguntaste como era possível. Tu a morrer de amor e o dia lá fora a chamar por ti. A vida é mesmo assim: continua. Sem mim e sem todos os outros otários com quem decidiste desperdiçar tempo. O tempo é uma coisa preciosa, posso dizer-to agora. Agora que a vida passou por mim e me fez homem.
 Bem sei que te deveria ter dito muitas coisas antes de partires. Despedir-me de ti com o habitual beijo na testa e lembrar-me que poderia nunca mais te ver. Nunca pensei bem na tua alma nómada e no teu coração hospedeiro. Deixaste-me a morrer de saudades tuas quando nem eu sabia o que eram saudades. Tal como me mostraste o que era o amor, sem eu nunca o ter sentido.
Mas percebes agora que estás feliz sem mim? Foi possível. Por mais que a calçada fosse incerta, tu chegaste lá. Estou muito orgulhoso. Perceber que foste minha um dia, da única forma que te sabes entregar, deixa-me orgulhoso. 
 E por mais que o tempo passe, continuo a querer-te ao meu lado. Inteira. Mas também sei que não sei tomar conta de ti. Que nunca o fiz com jeito e por isso te perdi. Portanto, continua a sorrir. Que eu continuo deste lado para te ver sorrir. Cada vez com mais força, princesa.

p.s: Não, não te lembres de mim. Serás mais feliz assim.

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