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egoístas


 Perguntavam-me se ainda te amava. Lá tive de me fechar em copas e passar à frente. Qual fumador a ignorar avisos em maços de tabaco. Fingi-me surda e muda e fui sorrindo e acenando. Fui pensando que provavelmente só mais uma vez sem me confrontar com a dor não faria mal, e que um dia mais tarde lá ganharia a coragem suficiente para satisfazer a minha própria curiosidade. Que se lixe o coração. Essa coisa.
 Perguntavam-me se ainda te amava. Não respondi. Porque não sei. Porque o amor entra e sai das pessoas sem aviso prévio. E eu não quero saber. Não quero que ninguém me diga. Prefiro que tudo isso chegue até mim devagar, prefiro acordar um dia e perceber que afinal éramos ambos demasiado egoístas para nos amar-mos. E que o amor é outra coisa. Diferente de tudo, de mim e de ti. Mesmo que as memórias me assaltem o sossego e me digam o contrário. Prefiro acreditar que amar-te é o que faço para conseguir escrever e que fora do meu espaço não resta nada que te queira dar. 
Opto por pensar que as palavras ser-te-ão para sempre dirigidas - de uma maneira ou de outra - pelo simples facto de me apurares os sentidos. E porque gosto de acreditar. Não em ti, mas nas pessoas.
E o que imagino contigo não passa de um amor pleno e bonito, sem ossos nem espinhas. Mas um amor estéril, que nunca dará frutos porque a vida, o destino, a sina ou seja lá o que for, não quis. Ou porque nós não deixámos.
 Perguntavam-me se ainda te amava. E digo-te hoje que talvez te ame sempre, ou nunca te tenha amado.

Comentários

  1. olá , voltei ao meu cantinho :)
    gostava que passasses por lá e desses a tua opinião, obrigada <3

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