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arrepios


 Ainda consigo sentir as borboletas no estômago. A tua respiração faz-me cócegas no ouvido como se dormitasses ainda com o teu nariz perto do meu tímpano. Quando fecho os olhos sinto peso leve do teu corpo sobre o meu e depois vejo-te sorrir como uma criança encantada com o sol pela manhã.
O teu cheiro fica preso à minha pele e debato-me até quando será assim. Até quando a recordação dos teus beijos sobre a minha clavícula me causarão arrepios que me queimam as veias e me prendem firmemente à tua cama. E aquele toque leve sobre a minha cintura para me aninhares suavemente entre os teus braços até eu me perder mil vezes. Ou até nos perdermos um no outro.
 Tenho saudades até das discussões absurdas sobre o tempo. Ou de te ver chegar lentamente até mim, sentindo cada segundo passar dolorosamente até que te toco e te prendo no meio dos dedos. Nunca ninguém te prendeu como eu.
Consigo ainda ouvir-te conversar, o teu riso rompe pelo quarto e estamos os dois novamente, aninhados um no outro, de corações enlaçados e cheios de promessas por cumprir. E há dias em que ainda me consigo sentir perdidamente apaixonada por ti, mergulhando ingenuamente nas memórias felizes que tenho de nós os dois até a realidade me chamar entre gritos e me trazer de volta a este lugar mais pálido que é a minha vida sem ti.

p.s: puras recordações, nada mais.

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