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árvore


 Comparo-os tantas vezes a uma árvore. Vou, aos poucos, vendo cair a fruta imprópria para que a sã possa permanecer. Nunca pensei que custasse tanto. Que doesse tanto. Esse adeus silencioso e quase imperceptível,  aquele que dizes para ti mesmo para que mais ninguém oiça. E depois é deixá-los partir, pedir que sejam felizes e que façam - por favor - alguém feliz. Que alimentem a árvore de outrem de forma construtiva e que os tombos lhes concedam a sabedoria da vida.
 Os bons corações ficam. Aqueles que merecem realmente ficar. Porque não se fica naturalmente na vida de alguém. Ou se constrói um permanecer sereno, com noites de filmes lamechas e conversas de cabeceira, regando meticulosamente a raiz que alimenta os sorrisos e as diferenças, os sonhos e as vontades; ou então mais vale deixar partir. Deixá-los partir.
 As memórias ficam. Como sempre, como não poderia deixar de ser. E muito provavelmente, ficarão sempre porque só assim é que faz sentido. Talvez nos lembremos muitas vezes, pedindo baixinho para regressar lá atrás e abraçar um pouco aqueles que já nos foram muito. Talvez as saudades deixem lágrimas pequeninas na almofada. Talvez.
Mas só ficam os bons. Só realmente ficam os bons. Aqueles para quem fomos alguém. Aqueles que foram sempre alguém para nós. Até quando não éramos ninguém.


p.s: a hipocrisia alheia inspira-me. vou anotar.

Comentários

  1. seria eu, bastante mais fria do que já sou e completamente incompleta.

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  2. gostei muito.
    já seguia o teu blog, mas só agora é que fui cuscar tudo :p

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  3. adorei o texto, querida. e identifico-me bastante naquela parte de ter saudades de tudo o que ja passou, e de querer voltar atras no tempo e aproveitar os momentos que passaram com alguem especial.

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