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coração hospedeiro


 Gosto da forma como desarrumas tudo na minha vida. Gosto que me faças cócegas no céu da boca, que me deixes a morrer por mais, só mais um segundo. Prefiro esse jeito desajeitado que tens de lidar comigo, de me levares na ponta dos dedos para onde quer que vá. Agrada-me que me mimes, que me uses como remédio santo para o teu coração e que me enchas de um amor disfarçado e cuidado que só o tempo pode amadurecer. 
 Não há nada que me possa magoar nem nada que te leve para longe de mim. Embora dês piruetas sobre a corda bamba, sabes ficar em silêncio quando te peço que apenas oiças o vento e o meu coração debilitado, escondido algures com medo do que lhe possam fazer.
Tenho um coração ervilha, não te disse. Tu sabes apenas que não lhe podes tocar. Sabes e olhas para mim como se fosses cuidar dele o resto da vida. E eu perco-me nessa compreensão astronómica e nessa dedicação subtil aos meus sentimentos amarrotados. 
 E agora, agora que me estás a abrir o sorriso, volta para casa e abraça-me com força. Fica, fica na minha vida e faz-me promessas bonitas. Prende-me e dá-me esse teu coração hospedeiro.

p.s: "Está a fazer-me bem e só por isso já merecia o mundo." mrp 

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