Estás a sorrir-me como uma criança que acaba de roubar um doce. Escondes a satisfação por detrás desse ar de anjo caído do céu e não há nada que te segure. Só eu, nos meus braços. E só porque (ainda) gosto de cuidar de ti.
Mas agora, tens de ir. Chega de te enrolares nos meus lençóis, basta de promessas descabidas e jardins floridos desenhados nas paredes. Eu conheço-te e sei que não ficas mais do que este tempo, tal como não me amas mais do que aquilo que podes. Porque não podes mesmo, ou não sabes.
Aprendi a aceitar a forma efusiva como entras e sais da minha vida, mas ter-te aos poucos ainda me abala o ego e me deixa insegura, a desconfiar dos corações alheios como quem não conhece o chão que pisa.
E não posso permitir que me faças e desfaças os sonhos, que espreites pela janela mas que nunca me entres pela porta, de malas e bagagens, cheio de vontade de construir um castelo. Não te posso querer porque quer-te me esmaga o coração e me deixa o espírito abalado, e no fim nunca lá vais estar para me amparar.
Tens de sair da minha vida porque eu não te sei expulsar. Tens de ser forte e prometer-me que cuidas de ti como eu faria, se me tivesses deixado. Tens de ir, fechar a porta com força e não voltar nunca mais. Nem mesmo se eu te pedir.
identifiquei-me tanto! és forte.
ResponderEliminarQue texto tão triste. Senti a dor em cada uma das tuas palavras. Tem muita força!
ResponderEliminaracredito que sintas a minha falta por aqui, mas há alturas que não da mesmo, mesmo dando-me muito o bichinho da escrita.
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