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não gostar de ti


 Perdi-me tantas vezes em ti. Tantas. Sei de cor a tua alma leviana e posso até adivinhar o que vais dizer a seguir. Ainda assim, continuo com o desejo secreto de te querer mudar, virar-te do avesso, trazer-te comigo a toda a hora, apertar-te as bochechas e gritar-te baixinho ao ouvido que vivo apaixonada por ti.
 Já são tantas as vezes em que te perdoo. E foram muitas aquelas em que te perdoei e nem soubeste. Fi-lo porque acho sempre que podes ser melhor, porque conheço o jardim florido onde habitas, onde não te deixas tocar, onde sossegas, onde sabes o que vales e o que tens para oferecer.
 É sempre maior o que nos une. Endoidece-me que não me deixes nunca por completo, que cultives árvores férteis no meu coração, que saibas exactamente como me levar até ti, que me faças sonhar sem ser preciso estares aqui, embalando-me os sonhos e as vontades. 
São de loucos, os nossos laços. É infantil a forma como te continuo a querer em noites cheias de bailarinas, a maneira estúpida como te escrevo tal como se fosses ler, tal como se pudesses guardar no peito e para sempre o que de mais sincero vem de dentro de mim.
 Perdi-me muitas vezes. Em ti, em nós. Perdi-me porque não te tinha e depois perdi-me contigo porque é a melhor forma que tenho de me perder. Hoje, parece-me que o melhor será não me perder. Nunca mais.
O melhor será enterrar-te junto às fotografias e às promessas. Não te ouvir, ao longe, a pedir-me para não ir. Não saber que precisas de mim. Não gostar de ti. O melhor, será não gostar de ti.

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