O silêncio. O teu silêncio come-me por dentro as entranhas e deixa-me a roer as unhas até ao fim. Até não restar mais nada. Depois segue-se o ritual estúpido de filmes lamechas e músicas para adormecer, onde me enterro até ao pescoço nas memórias que não me deixam e no dia-a-dia que me parece agora mais inútil sem ti.
Posso até gritar mil vezes que não te quero. Eu quero-te, és o único que me preenche corpo, é por ti que a minha alma levita e é por ti que quero morrer de amor. O meu coração enche-se de flores para te receber, faz reset nas feridas e volta a bombear sangue como se nada se tivesse passado. E é assim que gosto dele.
Desde que te foste, desde que me encheste o quarto com o teu vazio absurdo, que me sinto a definhar perante o sorriso que lanço ao mundo. Bani o amor do dicionário como quem apaga sem esforço uma nódoa, e pus-me a cantarolar com um timbre típico de gente que precisa de afecto, retendo as lágrimas nas pálpebras, querendo-te baixinho porque é assim que aprendemos a querer quem amamos.
E ainda me dói o peito, saltam-me as lágrimas para a almofada e eu deixo-as morrer sem reagir, fingindo que não as vi, que não as senti, que não me lembrei que ainda existias em mim como no primeiro dia, à muito tempo atrás. Tempo sem silêncios, sem medos, sem recuos. Tempo de crianças, tempo nosso. Nosso.
És forte, muito. <3
ResponderEliminarLyou
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