Avançar para o conteúdo principal

amor de papel


 A velocidade com que te despedias era assustadora. O meu corpo estremeceu levemente e deixaste as memórias todas dentro de mim. O sangue que me descia agora ao coração com um ritmo de conta-gotas deixava a realidade bem mais perto. Tu já não estavas ali e eu tinha de aceitar. Tinha.
 As despedidas mordem-me os sentidos até à exaustão. Deixam-me seca, infértil, com um aspecto baço. Aquela despedida acontecia todas as noites e eu já não sabia adormecer. Acho que nunca contei a ninguém. Doía-me o peito. Estavas sempre a abandonar-me, e pior, já não podias acordar-me do pesadelo, já não podias gritar-me baixinho que era mentira. O meu subconsciente só tinha o prazer de mo relembrar. A despedida, o adeus doloroso e cheio de espinhos. Coberto de palavras que se enrolavam agora num nó cego. Despedida de um amor de papel.
 Frágeis. Porcelana. Éramos agora tão quebradiços. Odiavas-me e eu odiava-te. O mais infantil dos ódios. Só porque não te podia amar. Só porque não me deixavas fazê-lo, nunca mais - disseste. 
E ainda assim voltavas todas as noites para te despedires. E eu tinha a oportunidade de te ter perto por segundos, tocava-te na inocência da minha mente, sentia ainda o calor dos teus dedos sobre a minha pele, o teu adormecer leve, o teu respirar de criança perdida. Até te ires embora. E eu acordar.

p.s: o inverno deprime-me!

Comentários

Enviar um comentário

tudo o que sentires, será bem vindo ♥