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lugar ao sol


 Vamos. Está na hora de partir. Sem olhar para trás. Sem que as pedras da calçada nos façam tropeçar e voltar atrás. Não é tempo de recuar. Este é o momento, não existem mais desculpas nem lágrimas por verter. Tudo o que precisamos está do lado de lá, perto do aconchego leve da brisa que nos anuncia a liberdade, o bater certo das horas e dos minutos, o começar de novo e outra vez. Como se não existisse um ontem conturbado e um amanhã assustador.
O medo é dos fracos, dos que desistem. Deixa o medo para quem precisa dele. Para quem ainda não tem de avançar. Consome agora a oportunidade que te é dada para voar mais alto. E voa.
 Não há como não lamentar. As memórias são roupas velhas que não tens coragem de deitar fora. São pequenos rabiscos naquele álbum de fotografias que te mostra o quanto já foste feliz. O quanto sorriste e o quanto te fizeram sorrir. São os rostos alegres daqueles que já foram. Para outro mundo ou para a sua própria vida.
Lamenta. Isso. Diz que lamentas. Mas não há nada que possas fazer. Nada que traga de volta aquele preciso momento, o disparar de batidas cardíacas sem que o cérebro se desse conta. Sem que te desses conta. Estavas a ser feliz e nem reparaste. Lamenta. Mas não faças nada. Não voltes atrás.
O caminho é ali, é em frente. Deixa-te levar mas continua a andar, nunca pares até encontrares o teu lugar ao sol. Aprende a contemplar as pequenas coisas e as grandes pessoas. Guarda tudo no coração e deixa-te viver. Não há nada tão raro.

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