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azul


 E, de repente, olhas à tua volta e está tudo mudado. O mundo girou e saiu tudo do lugar, as pessoas cresceram e muitas seguiram rumos diferentes. É uma questão de tempo até que sintas o peso da mudança, as saudades a roerem-te o peito devagarinho, quando as horas não querem passar.
Já não és uma criança. Já nada é azul. Conheces o preto e deixas de ter (tanto) medo do escuro. Na ingenuidade da tua mente ainda te vais perguntar muitas vezes porquê. O porquê de os bichos maus não se dissiparem com a infância, e desta vez, poderem realmente magoar. Vais perguntar-te porque é que já não cabes no colo da mãe e porque é que os problemas não desaparecem quando precisas de dormir.
 Um dia acordas e o globo deu uma volta de cento e oitenta graus. Os caminhos já não são seguros e já ninguém te vai dizer por onde seguir. Um dia tens o poder de escolher nas tuas mãos e só queres que alguém te leve.
A nostalgia da infância não está na ausência das brincadeiras inocentes ou da falta de capacidade para perceber o que nos rodeia. Sentes apenas um vazio mesquinho que cresce por todos os nós na garganta que naturalmente adquires, pela espontaneidade que aprendes a resguardar para não magoar ninguém e por todas as vezes em que tu mesmo sentiste que algo te feriu no coração.
Sabes que cresceste quando te apercebes do teu coração. Que a máquina dos batimentos tem um sentido metafórico muito especial e que as pessoas podem caber lá dentro. Cresces quando amas e sabes que amas, quando te amam, e tantas vezes quando não o fazem. Cresces e apercebes-te que estás crescido quando cais e permaneces exactamente no mesmo lugar. Quando não pedes desculpa e ninguém te obriga a fazê-lo. 
Já não és uma criança e nunca sofres realmente com isso. Porque os crescidos aceitam de uma forma naturalmente estranha tudo o que a vida lhes dá. E é assim que tu vais ser.

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