Eles não sabem que me magoaste. Não sabem que me deixaste fechada numa concha cheia de medo do mundo. É por isso que acham que me podes fazer feliz. Que me enches o peito de ar e a cabeça de ideias.
Eles gostam da cor da minha pele quando estás por perto. Falam-me do brilho que ganho nos olhos. Do sorriso sincero e das ideias bonitas. Não têm medo que me quebres porque não sabem que és capaz.
Acham mesmo que te venço em três tempos. Que te expulso do meu espaço ao mínimo deslize e que sei ser dona da minha vida.
Eles não sabem que me magoaste. Querem-me feliz porque não percebem que me deixaste triste. Que me colaste ao peito a melancolia de uma despedida pouco sincera. Não sabem que dói. Que ainda dói. Que talvez vá doer sempre porque feridas a sério deixam cicatrizes.
Não percebem quem és. Não te percebem como eu percebo e por isso não sabem. Não sabem que não és para mim. Que trazes ao de cima todas as minhas dúvidas. Que me relembras o quão posso ser infeliz. Tal como a imensidão do que é ser feliz perto de ti.
Não sabem que me magoaste. Vêem-me o sorriso mas nada do que carrego no peito. E, melhor assim. As perguntas acertam-me em cheio no coração. É como espetar o dedo na ferida. Como esmagar o ego e cuspir-lhe em cima.
E não há outro remédio para isto senão o tempo. Deixar que se esqueçam de ti. Deixar que eu me esqueça de ti. Deixar que o mundo, as casas, as flores, se esqueçam de ti. E só então depois começar de novo.
só nós é que sabemos o que nos compete a nós, dos outros ? mera opiniões
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