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sei


 Sei do teu medo. Conheço por dentro esse labirinto de inseguranças e a busca incessante por um chão seguro. Também eu procuro nos outros o que me falha, o que por azar não me corre nas veias, aquilo que a natureza, os astros ou a sina não deixaram que fizesse parte do meu destino.
Sei do coração partido. Dos mil pedaços que és obrigado a procurar, sozinho, encaixando peça por peça até que to partam mais uma vez. Sei do pessimismo, das noites em claro a pensar que nunca nada muda, das lágrimas que deixas na almofada porque mais ninguém precisa de saber nada sobre ti.
 Compreendo a desconfiança. O pé sempre atrás, à espera da próxima queda. O olhar descomprometido com o mundo, a fraqueza dos músculos, a incapacidade de usar o corpo e sair à rua. E ainda assim, erguer da cama o esqueleto enferrujado para que o sol brilhe mais uma vez.
Sei das madrugadas de folia, dos olhares furtivos, da esperança num amanhã melhor. Sei do carácter fugidio, das desculpas pouco coerentes para não deixares que te toquem novamente. Sei dos amigos como pensos para as feridas. Sei das fotografias como álcool nas mesmas.
 E, no entanto, não perdes a esperança. Olhas para a felicidade como uma meta e no meio da tua própria confusão sabes que um dia lá chegarás. Com o tempo, aceitas a tua situação sem contestar e percebes que as quedas são aprendizagens para a vida; aprendes que as desilusões são armaduras que consegues construir à volta do peito. Que o que mói não mata, mesmo quando te tira a vontade de viver.

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