Dizia-te silenciosamente e aos poucos que me encontrava farta. Completamente saturada. Olhavas para mim como quem pergunta como, se ainda agora comecei.
Tenho de te explicar que na memória da minhas células ainda vivem os medos de um passado pouco claro. Ou talvez não. Talvez fique em silêncio porque me cansei de falar.
Preciso de sossego. De um cesto cheio de flores e de adormecer perto de uma respiração serena. Há muito tempo que a minha vida não assenta num pilar seguro. São cordas bambas atadas umas ás outras. São sonhos desfeitos e muitas expectativas amontoadas atrás da porta.
Podes nem saber porquê, mas não posso esperar por ti. O meu caminho é feito de esperas vãs. Preciso de recomeçar levemente. Preciso de abrir a janela e sentir que o mundo lá fora espera por mim. E não apenas estes surtos de felicidade absoluta que se revelam verdadeiras tentativas frustradas de concretização. Eu mereço mais, o meu ego adormecido merece mais, só eu é que não percebi.
Os dias ficam cinzentos sem ti, tenho de admitir. O teu nome balança no meu cérebro mas não tenho a certeza se me chega ao coração. Dei-te demasiado para te tirar tudo agora, mas em ti não reside qualquer tipo de medo em puxar-me o tapete debaixo dos pés.
Tens de perceber.. tens. Isto não é para mim. Por mais que tente. Eu sou de coisas sérias, anéis nos dedos e cumplicidade no olhar. E sei que te falei do contrário. Do desapego e dos encontrões. Sei que te disse que agora queria voar contigo por perto. Mas não sei nada disto. Os dias são vazios e o meu coração precisa do teu. Do calor dessa lareira que proteges com unhas e dentes, para uns dias mais tarde a entregares de mão beijada.
Entende a minha dúvida. E perdoa-me. Ainda não sou segura o suficiente para te dar segurança. Preciso de juras constantes mesmo que odeie que me jurem qualquer coisa. E sei que peço de mais. Não só a ti. Mas peço de mais ao futuro e é por isso que não sei poisar em ninho nenhum. Tenho medo, tanto medo.
Se ao menos soubesses.. Se ao menos eu te pudesse dizer. Mas não. Não sei falar disso. Não sei dizer que não quero, que não posso. E tu, tu és uma pena leve no meu coração. Posso só levar-te para casa e prometer nunca mais voltar. Mesmo que nunca mais cumpra.
p.s: sad days
O medo é sempre algo que nos ataca com uma facada quando menos esperamos e apenas nessas alturas percebemos o quanto mal nos faz. Eu vivo com o medo desde que a minha vida descarrilou para o lado negro, caindo através dos montes que a amolgavam até não poder mais. Já lá vão 7 anos, quase 8 sempre com esse sentimento.
ResponderEliminarO que te posso dizer é que no meio de tudo, nunca tenhas medo do que queres e te possa fazer feliz. Eu não consegui separar o passado do presente, mas acredito que muitos o consigam com o seu esforço...
Gostei do teu blog, sigo :)
Gostava de ter um coração mais pequeno para que tudo isto o completa-se e o medo é muitas vezes o melhor amigo de quem anda sozinho enquanto que partilhando algo com alguém tudo se torna mais fácil e todo o medo foge da felicidade e amor que se sente nesses momentos...
ResponderEliminarO medo de relações ou seguir em frente com elas é algo que pouco deve existir pois não leva a nenhum lado, apenas á solidão e deixar escapar o que amamos
Não entendi a última frase, mas se sentes que o medo é o causador de tantas questões mal resolvidas, arranja uma estratégia de combate que apanhe desprevenido o adversário (o medo).
ResponderEliminarBis*
Lerda em interpretação >< sorry about that. Uma das coisas que aprendi com o medo, é que há coisas que podemos fugir por não ser importante para lidar, outras basta saberes o que queres realmente para não deixar escapar.
ResponderEliminaridentifico-me imenso com o que li. excelente texto*
ResponderEliminaridentifico-me imenso com o que li. excelente texto*
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