Acordei novamente sozinha. Depois de tanto tempo a conviver com a ausência e uma cama vazia, sentia agora pelo corpo o frio daquele inverno demorado. Adormeci a ler uma história de amor. Páginas e páginas de declarações feitas com o coração e tantas vezes misturadas com o prazer mórbido que é amar alguém só porque sim.
Percebi que perdia tempo. As paixões fugazes não ficavam para me aquecer o esqueleto congelado, não me reconfortavam o ego moribundo nem me faziam sentir na pele o arrepio de um amo-te sussurrado ao ouvido. Tanto tempo a fugir do amor para acabar sozinha. O melhor teria sido entregar-me sempre, cabeça, tronco e membros, sem medo dos arranhões e dos dissabores que por aí vinham.
Gostava de ter arriscado mais. E embora falte muito tempo para a minha vida acabar, sei que não posso mudar o que construí. O meu medo não foge - nem mesmo quando encho o peito de ar e o coração de esperança. Eu é que fujo dele.
Entendi que à muito tempo que não buscava o amor nos outros. Ganhei espaço suficiente para me movimentar sem me envolver, sem me misturar no cheiro e na cor, no corpo e na alma. E agora ali estava, a acordar sozinha numa cama vazia, a saborear o meu próprio veneno, a forma como fechei o coração sem saber se alguma vez o conseguiria voltar a abrir.
Foi bom não sentir nada. Ainda sabe bem, às vezes. Não deixar que o coração salte pela boca. Mas, ao mesmo tempo, quem me dera ter feito o luto com muitas lágrimas. Quem me dera ter gritado para o mundo inteiro ouvir. Invés de virar o amor do avesso e não sentir nada. Nunca mais sentir nada.
Já tinha saudades de ler a tua maravilhosa escrita. Encontra-te <3
ResponderEliminarNão deixes que passados dolorosos te façam esquecer o sabor dos sentimentos!
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