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selos


 Há dias em que sinto saudades do amor. Saudades de tê-lo a bater-me à janela num domingo de manhã; de vê-lo acenar-me por de entre a multidão, tornando tudo o resto quase tão minúsculo como inútil.
Nada ridiculariza tanto o mundo como um coração cheio. Nada sabe tão bem como um sábado de mimos e as mãos entrelaçadas debaixo do cobertor. Aquela coisa de ter alguém a segurar-nos em cima da palma da mão, com a confiança plena de que nunca, jamais, nos irá deixar cair. Mesmo que um dia, não só nós mas o mundo, desmorone.
 Tenho saudades da confiança. Dos segredos e dos medos que não se partilha com mais ninguém. Saudades até de coleccionar manhas e manias, com o mesmo prazer e disposição de quem colecciona selos. 
 Mas, e ao mesmo tempo, não queria nada voltar a sentir o peito apertado. A almofada demasiado pesada para as horas em que o sono não chega porque o incerto nos inquieta a aorta. Acho que me cansei de amores vadios. Amores irrequietos, avassaladores. Não sei se haverá outra forma de o viver, mas queria muito encontrar dentro do coração de outrem a quietude que só em mim não existe.
E não é que procure. Ou pelo menos, não o faço conscientemente. O que vivo tento viver devagar para que os dias e os segundos não passem muito rápido. Para que não haja saudades no futuro. Porque de saudades, tenho as artérias cheias.

Comentários

  1. Sinto-me um pouco como tu. Falta de um amor, mas ao mesmo tempo, pensando em tudo o que passei ter medo.

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  2. lindo! acho que todas queremos um amor calmo (:

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  3. Adorei o texto. Está mesmo muito bom!

    Beijinhos*

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  4. Sem duvida alguma princesa. Beijinho*

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  5. É optimo encontrar um texto com o qual nos identificamos totalmente. Está lindo!

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  6. Não procures por algo que na hora certa te vai tropeçar no caminho, gostei do texto :)

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